Translate

terça-feira, 16 de junho de 2026

PRA TE VER

A primeira vez que vi teus olhos escuros,
Não fazia ideia de que fosse um mergulho sem volta.
E a cada vez que me vejo adentrar tua luminosa pupila,
Meu coração espedaça e conserta
E torna a espatifar-se, de novo, num viver e morrer sem medida.
E toda vez que conquisto um teu sorriso de canto de boca,
É como se o próprio céu se abrisse a uma nova manhã florescente!
 
O suave som da tua voz
Vai me penetrando os poros, antes mesmo de chegar aos ouvidos.
E eu vivo e revivo e remoo infinito
Cada fração de segundo em que desfruto da
Tua despretensiosa atenção.
 
Como é possível que a tua imagem
Tenha-se gravado tão fundo na minh’alma
Que, mesmo nos frágeis momentos em que não te fantasio,
Tu te impões já tão presente,
Como se já me fizesse parte a tua pessoa?
 
E eu, de ti, o que sei? O que vi?
O que amei com tanta devoção
Que já não me posso apartar?
 
E assim, nada mais quero...
Nem palavras, nem beijos,
Nem afetos proibidos...
Eu só queria te ver de novo,
Num lugar que estivesse fora dos meus pensamentos.
 
E o que vi? Não sei dizer.
Com quê me atrais? Não discerni.
E nem me ocupo mais de entendimento,
Porque em algum lugar do tempo te gravastes em minha memória.
E isso me basta para querer-te ver,
Nem que seja num sonho fortuito dessa vida escura
Que não contém o sol da tua presença.
 
Tu, que não me pertences nem queres;
Tu, que sequer me lembras;
Tu que nem me cogitas...
 
E eu só queria te ver.
Só uma vez,
Antes que a fantasia me roube
O resto de juízo que tenho guardado
No potinho frágil da minha infeliz e solitária existência.

O QUADRO

Ao contemplar a bela tela colorida, Estes salões se me tornaram um deserto; Enquanto eu, naquele novo espaço aberto, Já adentrava o imaginár...