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terça-feira, 19 de maio de 2026

EU, POETA

Quisera ter em mim, algum instante,
A força e a coragem pra mudar
O mundo transtornado que me cerca.
Porém, as minhas coisas não tão retas,
Nem sempre tenho a manha de enxergar –
Eu penso: já seria até bastante!
 
E hoje, avançando dos quarenta,
Percebo nem querendo tanto assim...
E acabo sufocando em má vontade
A parte que me consta e que me cabe;
Eu vejo-me querer, mas desistir,
Pensando o que me vale mais a pena.
 
Alguém falou que isso é ser adulto:
Um voluntariamente acovardar-se.
Até tentando bem, não acredito
E, não querendo concordar com isso,
Os louros dessa tal maturidade
São coisas que – eu mesma – não desfruto.
 
Assim, eu me atrevi a ser poeta,
Buscando encorajar quem tem mais brio
A transformar o mundo mais bonito.
Assim é que eu vivi e ainda vivo:
Argumentando sonho e desvario,
Que poesia é tudo o que me resta!

 

CENTELHAS

Um riso de criança encheu a casa;
Eu, da janela, ouvindo o seu ruído,
Também senti vontade de achar graça,
Sem nem querer saber qual o motivo.
 
Tem coisas que, chegando ao coração,
Inundam nossos olhos de estrelinhas
E, quando a gente pensa que já não,
Recordam que há música ainda!
 
O choro amargo da sobrevivência
Embaça os olhos d’alma, quase cegos,
E a gente perde o dom de contemplar.
 
Mas, para além de toda aparência,
A vida não é só sobre dar certo...
Às vezes, é preciso esperançar!

sábado, 2 de maio de 2026

TORMENTA

O que é deste amor que me consome até o último suspiro;
Que, quanto mais eu o sinto, tanto mais morro, cada vez um pouco?
Se me tem consumido e afogado em profundo e tamanho desgosto, 
Por que raios, no peito já tão castigado, jamais abdico?
 
E talvez não se gaste, por não dividi-lo, por mais que me queime;
Cada grito que eu calo se faz testemunha do meu sofrimento.
E se, desde a manhã, ele raia nas luzes do meu pensamento,
Como posso fugir do que já me faz parte tão intimamente?!
 
De joelhos dobrados, imploro a Deus: “me conceda esta graça”!
E, se for da vontade do Pai de bondade, em sua misericórdia,
Haverei de ter forças pra não repetir o pecado mortal.
 
O que mais me angustia é não reconhecer esta voz que me fala,
Que me gasta e não acha entender e não passa da minha memória...
Como é que te amar pode ser tão bonito e fazer tanto mal? 




(Do livro Pobres Rimas - V. Medeiros)


Obs: 1° lugar na categoria 2 - "adultos em geral" -   3° Concurso Nacional de Poesia da Academia Metropolitana de Letras e Artes de Feira de Santana.

EU, POETA

Quisera ter em mim, algum instante, A força e a coragem pra mudar O mundo transtornado que me cerca. Porém, as minhas coisas não tão retas, ...